Dia de Luta – 25 de julho

“Está na hora da sociedade, e não só a população negra feminina, ir à luta por mais direitos, respeito e proteção”

Hoje minha fala, não é para parabenizar as mulheres negras. Quero falar para a sociedade em geral. Hoje é dia de luta! A data comemora uma história de persistência das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas, para uma sociedade mais justa.

Estudos apontam que o índice de violência, seja ela de qualquer espécie, é maior em mulheres negras do que em mulheres brancas, três vezes mais. E não é mi, mi, mi nosso não, trabalhamos com dados e as estatísticas não mentem.

Em 2017, foram registrados 4.936 casos de assassinatos de mulheres no Brasil, uma média de 13 por dia, o maior índice em uma década. Na maioria dos casos as vítimas eram negras (66%), foram mortas por armas de fogo e grande parte dos crimes aconteceram dentro da residência, segundo dados do Ministério da Saúde compilados pelo Atlas da Violência 2019 lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

A taxa de assassinatos de mulheres aumentou em 20,7% entre 2007 e 2017, mas quando se faz um recorte racial, esse número é ainda mais absurdo. Para as mulheres negras, houve crescimento de mais de 60%, enquanto que para mulheres não negras esse aumento foi de 1,7%. Apesar de a Lei Maria da Penha ser premiada internacionalmente e de a Lei do Feminicídio ser uma inovação jurídica, tais conquistas legais não estão garantindo a proteção das mulheres negras.

O dia de hoje relembra a história de Tereza de Benguela. Ela foi uma rainha do século XVIII, líder quilombola, símbolo da resistência contra a escravização. Hoje é um dia de conquista, pois as mulheres negras foram fundamentais na construção do país, mas ainda hoje são invisibilizadas pelo machismo e pelo racismo. Tá na hora de mudar essa visão. Hora da sociedade, e não só a população negra feminina, ir à luta por mais direitos, respeito e proteção. Sim, somos frágeis, mas como disse nossa coordenadora nacional do PRB Mulher, deputada Rosangela Gomes, “somos e seremos resistência”.

 

Cássia Vasconcelos

Mulher negra, nordestina, mãe e coordenadora estadual do PRB Mulher do Ceará

 

 

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